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Monday, September 9, 2019

CALLING DOCTOR LOVE: 5 COISAS SOBRE SEXO ENTRE MULHERES QUE TODO MUNDO DEVIA SABER (por Helena Bertho)



“Amiga, opera a cura hetero em mim que eu quero sexo bom pro resto da minha vida”, disse uma amiga dia desses.

Poxa, bem que eu queria poder operar a cura heterossexual por aí. Mas além da tristeza de não ter esse poder, a fala me fez pensar: as pessoas têm umas ideias muito loucas sobre como seria o sexo entre mulheres, né?  

Eu estava num dilema com essa coluna: não é meu lugar de fala escrever sobre o ser lésbica, mas também não podia deixar a data passar em branco. Depois de muito pensar, achei que seria um ótimo momento de usar esse espaço focado em sexo para desmistificar algumas ideias que as pessoas têm sobre o sexo entre mulheres.

Assim a gente evita falas preconceituosas e também não se ilude achando que basta gostar de mulher para resolver todos os problemas sexuais da vida. 


1. É SEXO
Parece besteira começar assim. Mas tem gente que acha que se não há um pênis envolvido, não é sexo. Mas não é bem assim. Já faz muito tempo que se considera sexo um monte de coisa além do coito (o ato da penetração do pênis na vagina com fins reprodutivos). Sexo é a troca física entre duas pessoas com objetivo de sentir prazer e é um conceito muito amplo. Tem gente que acha que até beijo é sexo. Pode até render um debate. Mas quando falamos em duas mulheres (cisgêneras ou trangêneras) transando, é sexo sim. 


2. NÃO É SÓ SEXO ORAL
Já vi gente surpresa de escutar que lésbicas não ficam só chupando uma à outra. Veja só! O sexo entre mulheres envolve um monte de formas de estimular o corpo. Vai dizer que nunca ouviu falar de tesourinha? Também se usa muito a mão… E, inclusive, é mais comum que no sexo entre mulheres as envolvidas lembrem que existe um corpo todo ali, para muito além dos genitais, e que dá para sentir prazer de muitos (muitos mesmo) jeitos. 


3. PODE TER PENETRAÇÃO
Existe uma ideia comum de que o sexo entre mulheres não envolve penetração. Mas isso não é verdade. Algumas não gostam de ser penetradas, outras adoram. Muitos casais de mulheres usam dildos e vibradores para isso. O dedo também pode entrar na equação. E ainda existem mulheres trans que têm pênis e cujas parceiras gostam da penetração. A verdade, mais verdadeira, é que assim como no sexo entre homens ou no hétero, no sexo entre mulheres existe uma infinidade de possibilidades de práticas e jeitos de fazer. Quando as duas ali querem, vale tudo. Um detalhe: Pode rolar eventualmente transmissão de infecções sexualmente transmissíveis entre mulheres também. Mas não vou me estender aqui porque tem uma reportagem inteira sobre isso saindo esta semana com explicações mais detalhadas sobre os riscos e formas de prevenção. 


4. NÃO ACONTECE PARA EXCITAR HOMENS
Pode parecer óbvio, mas dá uma busca em canais de pornografia para ver o que muita gente acha que é o sexo entre mulheres: praticamente um show de exibicionismo para excitar os homens. E por isso é comum que casais de mulheres ouçam falas como “posso participar?”, quando estão se beijando. Acho que nossa sociedade está tão acostumada a pensar a sexualidade a partir de um ponto de vista masculino, que tem homem que honestamente não entende que não é sobre ele. Mas é bom saber que, no geral, quando duas mulheres transam, elas estão procurando excitar uma à outra e só. Detalhe importante: ao contrário do sexo entre mulheres, a pornografia lésbica tem um volume bem grande de material feito para excitar homens. E que simplesmente não têm lastro com a realidade. Unhas gigantes, por exemplo, são o terror do sexo sapatão. Além disso, tapas na ppk. Com certeza deve ter alguém que gosta, mas não é assim tão recorrente quanto nos vídeos. E nem vamos falar da língua dura que tenta fazer as vezes do pênis…


5. NÃO É PORQUE É MULHER, QUE FAZ GOSTOSO
Essa é pra amiga que quer ser convertida na esperança de só ter transas boas: você vai se frustrar. Até porque, o que é fazer gostoso, né? Cada uma tem um gosto, uma sensibilidade, um ritmo. Então pode acontecer de uma não curtir o jeito que a outra chupa, ou o ritmo com que se mexe. Como todo sexo, é encontro. E claro, também, envolve prática. A mulher que nunca transou com mulher vai precisar de algum tempo para se adaptar aos novos jeitos de fazer e desapegar o ritmo frenético da britadeira aprendido com os homens.

Helena Bertho é jornalista formada pela USP e com pós-graduação em roteiro pela FAAP. Já atuou em diversos veículos, como UOL, M de Mulher, Veja São Paulo e a Revista Sou Mais Eu. Especializada em cobertura de gênero, direitos humanos, diversidade e sexualidade, é editora chefe da Revista AzMina, onde este texto foi originalmente publicado, e também escreve a coluna quinzenal sobre sexo na revista, que pode ser acessada neste endereço web: https://azmina.com.br

O pintor pós-impressionista Antoine de Toulouse-Lautrec é o responsável pelas lindas imagens de sacanagem entre mulheres utilizadas para ilustrar este texto.




Wednesday, February 7, 2018

CALLING DOCTOR LOVE! #01 (com o renomado conselheiro sexual honoris causa ODORICO AZEITONA M.D.)



Caro Doctor Love,
Tenho 22 anos, sou heterossexual e moro numa cidade onde existe cerca de 10 mulheres para cada homem. Consequentemente, as chances de sair para a balada numa sexta à noite e voltar para casa sem comer ninguém é praticamente nula. Praticamente todas as bucetinhas dessa cidade são facilmente acessíveis por qualquer interessado. Para alguns, é o paraíso. Para outros, como eu, é o Inferno na Terra. É que eu não tenho tesão em mulheres fáceis. Brocho com mulheres fáceis. O que é que faço, Doctor Love? Mudo de cidade ou procuro um psiquiatra? (Marivaldo Mateus, Santos SP)

 Marivaldo,
Quer mesmo saber o que você faz nesse caso? Primeiro: deixa de ser babaca. Segundo: deixa de ser trouxa. E terceiro: deixa de ser otário. Se não conseguir, vai dar meia hora de cu por aí que passa. Aconteça o que acontecer, Boa Fudelança e Boa Sorte!

  

Caro Doctor Love,
Tenho 25 anos, sou heterossexual e trabalho com meu pai em seu Escritório de Advocacia. Como ele viaja muito e deixa o escritório em minhas mãos, onde fico sozinho com a Secretária dele -- uma coroa de 40 e poucos anos gostosíssima --, adivinhe o que aconteceu? Pois é, estamos tendo um caso. Ela tem um fogo no rabo que eu nunca tinha visto em nenhuma das mulheres com quem transei nesses últimos 10 anos. O problema é que ela começou a me confidenciar coisas a respeito de meu pai que me deixaram bastante preocupado. È que eu descobri que ele é homossexual e sustenta um bofinho num apartamento caríssimo na Alameda Santos. O que eu faço, Doctor Love? Tento falar com ele sobre o assunto? Ou conto tudo para minha mãe? (Ibrahim Al-Alam, São Paulo SP)

Ibrahim,
Deixa de ser trouxa, ô palhaço. Passa rola nessa secretária fogosa e vê se deixa teu pai fazer o que quiser. Ele está dando o que é dele. Ele foi competente o suficiente para meter rola em sua mãe e por você no mundo. "Missão Macha" cumprida. Agora deixa ele dar o cu em paz. Vai saber seu a tua mãe não sacou isso faz tempo e não tem algum rabicho com algum bofe por aí? Deixa rolar, Ibrahim. Boa Fudelança e Boa Sorte!

 

Caro Doctor Love,
Estou namorando com M há 4 meses e gosto muito de dar o cu para ele. Ele é craque, sabe como me comer sem me deixar arregaçada e cheia de dores nas horas seguintes à fudelança -- o que para mim é importante, pois sou designer e passo a maior parte do dia sentada numa poltrona desenhando no computador. O problema é que de uns tempos para cá ele começou a querer usar brinquedinhos sexuais nas nossas relações. Me mostrou uma estante enorme cheia de vibradores e dildos num closet em seu quarto -- algo que eu jamais imaginei que ele tivesse. Eu disse não, pois não sei em que bucetas e em que cus aqueles artefatos foram introduzidos antes de mim. Pensei em propor que ele jogasse tudo fora e comprasse tudo novo para usar em mim, mas aí me ocorreu que esses produtos provavelmente não são recicláveis, e não poderiam ser simplesmente jogados no lixo limpo do prédio onde eu moro, ou do prédio onde ele mora. É que eu defendo bandeiras de ecologia e sustentabilidade. O que eu faço, Doctor Love, RJ)


Cara Evandra,

Eu, no seu lugar, desinfetaria e perfumaria todo o arsenal dele, e deixaria em que entrassem em combate o quanto antes. Agora, se você não se sentir à vontade com esses brinquedinhos -- por eles terem frequentado outras bucetinhas e cuzinhos --,  chame um padre para benzer a coleção de artefatos com água benta e uma reza forte. Se ele não aceitar o encargo, chame um pai de santo ou uma benzedeira que a parada se resolve do mesmo jeito. Se não aceitar também, chame o dono de alguma sex-shop e proponha uma permuta por lingerie erótica ou então anuncie as pirocas como oferta no eBay. Mas para de regular mixaria e encher o saco do teu M, senão daqui a pouco ele namorado troca você por outra bucetinha e outro cuzinho menos ranhetas do que os seus. Lembre-se: buceta e cu dando sopa tem de montão por aí. Boa Fudelança e Boa Sorte!


Doctor Love atende nas horas vagas
pelo nome Odorico Azeitona.
Possuí vários livros não-publicados
sobre manifestações sexuais ocorridas
ao longo da História da Humanidade
e sobre como o sexo é praticado
nos quatro cantos do nosso planeta.
Não atende em consultório algum.
Só aqui mesmo. E chega.